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Gilberto Wageck Amato
Assessor e pesquisador do IRGA
A condução da resposta de “lavar ou não o arroz”, deve ser segmentada, pois é diferente segundo os subgrupos do arroz: branco polido e parboilizado.
No caso do arroz parboilizado, durante sua elaboração ocorrem alterações que o particularizam. O processo de parboilização pode ser sintetizado da seguinte maneira: o arroz em casca é submetido a uma primeira operação, denominada Encharcamento, ocasião em que os constituintes hidrossolúveis presentes nas camadas externas (formadoras do farelo) migram para o interior do grão; em uma segunda etapa, estes constituintes são fixados, pela gelatinização; segue-se a secagem e o beneficiamento propriamente dito. As condições de temperatura, o tempo e a umidade deste processo garantem a estabilidade enzimática e a pasteurização microbiológica. Ao gelatinizar o amido, é diminuída drasticamente a capacidade de disponibilizar os constituintes hidrossolúveis por lixiviação. Em resumo, o processo evita a perda de vitaminas na lavagem. A consagração deste aspecto no meio científico tem desmotivado as pesquisas direcionadas à quantificação, sendo a vantagem nutricional atribuída à “convicção científica”.
É importante referenciar que o arroz parboilizado demora cerca de 4 a 5 minutos a mais no preparo de cozinha. Assim sendo, nesse tempo adicional ocorrem perdas parciais nos constituintes susceptíveis de degradação pelo calor (termolábeis), como a própria vitamina B1. Mesmo sendo considerada pouco significativa, esta perda ocorre. Tal como no caso do parágrafo anterior, há uma carência de pesquisas para estabelecer a perda como “verdade científica”.
No caso do arroz polido, a contribuição de um artigo da FAO (*) orienta perfeitamente. Analisa duas circunstâncias, abordando primeiramente o caso da simples lavagem, quantificando as perdas nos seguintes níveis:
Tabela 1. Perdas de nutrientes do arroz polido por lavagem
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Constituintes |
Perdas, % |
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proteína |
2-7 |
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potássio |
20-41 |
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tiamina (B1) |
22-59 |
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riboflavina (B2) |
11-26 |
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niacina (B3) |
20-60 |
A fonte é o importante pesquisador Juliano (1993), da Filipinas.
Suplementando a informação, quando se trata de avaliar as perdas cumulativas por lavagem e cozimento, segundo procedimentos usados na Índia, Grist (1986) quantifica as perdas de proteína, ferro, cálcio e fósforo.
Tabela 2. Perdas de nutrientes do arroz polido por lavagem e cozimento
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Constituintes |
Perdas, % |
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proteína |
10 |
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Ferro |
75 |
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cálcio |
50 |
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fósforo |
50 |
Já Saunders (1979) avalia perdas de cozimento com excesso de água, seguido de descarte do excedente; os itens avaliados são vitaminas do complexo B: tiamina, riboflavina e niacina. Avalia que fritura a alta temperatura destrói mais de 70% da tiamina, a mais termolábil (e importante!) das vitaminas do chamado complexo B.
Tabela 3. Perdas de nutrientes do arroz polido por cozimento em excesso de água
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Constituintes |
Perdas, % |
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tiamina (B1) |
30-50 |
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riboflavina (B2) |
25-35 |
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niacina (B3) |
25-50 |
CONCLUSÃO:
Respondendo a pergunta-título pode-se afirmar que, sob o ponto de vista das perdas nutricionais, no arroz polido é desaconselhável a lavagem; e no parboilizado é completamente desnecessária.
Por outro lado, a sabedoria popular deve ser posta em prática para a decisão final. O consumidor deve escolher a marca de sua confiança e inspecionar visualmente. Afinal, o homo sapiens tem desenvolvido um saber na escolha dos seus alimentos, não sendo por acaso que a espécie tem sobrevivido há alguns milhares de anos.
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