Porto Alegre, 06/09/2010
Página Principal
topo_site
 
   Instituto
   Conselheiros
   Serviços
   Pesquisa
   Difusão de Tecnologia
   Novidades Tecnológicas
   Programas Especiais
   Publicações
   Licitações
   Dados de Safra
   Calendário de Eventos
   Previsão do Tempo
   Bolsa de Negócios
   Newsletter
   Fale Conosco
   Banco de Imagens
   Inf. Técnicas On Line
   Meio Ambiente
Programas estruturantes
Semente Certificada
  Artigos Técnicos e Palestras
LAVAR OU NÃO O ARROZ? EIS A QUESTÃO!

Gilberto Wageck Amato

Assessor e pesquisador do IRGA

 

                  A condução da resposta de “lavar ou não o arroz”, deve ser segmentada, pois é diferente segundo os subgrupos do arroz: branco polido e parboilizado.

 

         No caso do arroz parboilizado, durante sua elaboração ocorrem alterações que o particularizam. O processo de parboilização pode ser sintetizado da seguinte maneira: o arroz em casca é submetido a uma primeira operação, denominada Encharcamento, ocasião em que os constituintes hidrossolúveis presentes nas camadas externas (formadoras do farelo) migram para o interior do grão; em uma segunda etapa, estes constituintes são fixados, pela gelatinização; segue-se a secagem e o beneficiamento propriamente dito. As condições de temperatura, o tempo e a umidade deste processo garantem a estabilidade enzimática e a pasteurização microbiológica. Ao gelatinizar o amido, é diminuída drasticamente a capacidade de disponibilizar os constituintes hidrossolúveis por lixiviação. Em resumo, o processo evita a perda de vitaminas na lavagem. A consagração deste aspecto no meio científico tem desmotivado as pesquisas direcionadas à quantificação, sendo a vantagem nutricional atribuída à “convicção científica”.

É importante referenciar que o arroz parboilizado demora cerca de 4 a 5 minutos a mais no preparo de cozinha. Assim sendo, nesse tempo adicional ocorrem perdas parciais nos constituintes susceptíveis de degradação pelo calor (termolábeis), como a própria vitamina B1. Mesmo sendo considerada pouco significativa, esta perda ocorre. Tal como no caso do parágrafo anterior, há uma carência de pesquisas para estabelecer a perda como “verdade científica”.

 

         No caso do arroz polido, a contribuição de um artigo da FAO (*) orienta perfeitamente. Analisa duas circunstâncias, abordando primeiramente o caso da simples lavagem, quantificando as perdas nos seguintes níveis:

 

Tabela 1. Perdas de nutrientes do arroz polido por lavagem

Constituintes

Perdas, %

proteína

2-7

potássio

20-41

tiamina (B1)

22-59

riboflavina (B2)

11-26

niacina (B3)

20-60

 

         A fonte é o importante pesquisador Juliano (1993), da Filipinas.

        

Suplementando a informação, quando se trata de avaliar as perdas cumulativas por lavagem e cozimento, segundo procedimentos usados na Índia, Grist (1986) quantifica as perdas de proteína, ferro, cálcio e fósforo.

 

Tabela 2. Perdas de nutrientes do arroz polido por lavagem e cozimento

Constituintes

Perdas, %

proteína

10

Ferro

75

cálcio

50

fósforo

50

 

Já Saunders (1979) avalia perdas de cozimento com excesso de água, seguido de descarte do excedente; os itens avaliados são vitaminas do complexo B: tiamina, riboflavina e niacina. Avalia que fritura a alta temperatura destrói mais de 70% da tiamina, a mais termolábil (e importante!) das vitaminas do chamado complexo B.

 

Tabela 3. Perdas de nutrientes do arroz polido por cozimento em excesso de água

Constituintes

Perdas, %

tiamina (B1)

30-50

riboflavina (B2)

25-35

niacina (B3)

25-50

 

CONCLUSÃO:

Respondendo a pergunta-título pode-se afirmar que, sob o ponto de vista das perdas nutricionais, no arroz polido é desaconselhável a lavagem; e no parboilizado é completamente desnecessária.

Por outro lado, a sabedoria popular deve ser posta em prática para a decisão final. O consumidor deve escolher a marca de sua confiança e inspecionar visualmente. Afinal, o homo sapiens tem desenvolvido um saber na escolha dos seus alimentos, não sendo por acaso que a espécie tem sobrevivido há alguns milhares de anos.

 

 

desenvolvido por PROCERGS